Obrigado pela sugestão José, vou escutar Eu gosto de tudo desde que me entre no ouvido,por ex este disco que ouvi hoje e que é a antítese da big band. 4 génios à solta ei o resultado só pode ser superlativo
O Aníbal não deixa de me surpreender com as suas propostas, quatro Saxofonistas a criar linhas de diálogo... gostei do que espreitei, tenho de escutar com mais calma.
Ando numa fase em que preciso de escutar palavras e pouco Jazz tenho feito rodar, quando trabalho em casa faço-me acompanhar de coisas mais próximas da Electrónica Ambient. Para cruzar o tema com Jazz, deixo esta referência que poderá gostar:
Eli Keszler - Stadium (2018)
É bem Jazzístico na forma como é construído, mas há recurso a "novos" instrumentos para criar Música.
TD124 Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Sáb Jul 24 2021, 15:21
José Miguel escreveu:
... gosto do que o Ellis consegue em termos de arranjos, permite uma largura e profundidade que nem sempre a "banda clássica" consegue - parte disto deve-se ao uso de electrónica, claro, mas está muito bem conseguido. ...
Para mim a influência, doravante fundamental, do Warren Ellis na musica do Nick Cave começou no album Push the Sky Away sendo notoria na faixa eponima. Ele aplica uma construção tipica dos Dirty Three aonde o minimalismo repetitivo é rasgado por sobressaltos dinâmicos que fazém pensar a uma lenta construção harmonica e ritmica do Monk, mesmo na dissonância...
Os Dirty Three que são para mim o maior (e melhor) grupo em actividade e do qual jà apresentei vàrios albums por aqui é uma formação em trio (guitarra, violino, bateria) aonde o Warren Ellis conseguiu se desamarrar da estructura musical clàssica dos Bad Seeds e antingir um outro patamar conceptual! Nos Dirty Three não hà voz e a unica vez que eles fizeram um album com uma vocalista foi com a Cat Power ... hoje tenho quase a sensação que o Nick Cave seria a voz perfeita para acompanhar os Dirty Three e se gosto tanto do album Skeleton Tree é que no fundo não sei se é um album dos Dirty Three ou do Nick Cave...
Isto para dizer que a influência crescente dos arranjos do Ellis na musica do Cave ultrapassa os dois homéns e cria uma fusão com um grupo da sombra mas fundamental nessa metamorfose ... toca a descobrir os Dirty Three pessoal
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Alexandre Vieira Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Sáb Jul 24 2021, 15:25
Que excelente indicação
José Miguel Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Sáb Jul 24 2021, 18:03
TD124 escreveu:
Para mim a influência, doravante fundamental, do Warren Ellis na musica do Nick Cave começou no album Push the Sky Away sendo notoria na faixa eponima. Ele aplica uma construção tipica dos Dirty Three aonde o minimalismo repetitivo é rasgado por sobressaltos dinâmicos que fazém pensar a uma lenta construção harmonica e ritmica do Monk, mesmo na dissonância...
(...)
O Paulo já fez algumas referências aos Dirty Three, mas quem se interessar por Post Rock não deixará de se cruzar com o álbum:
Dirty Three - Ocean Songs.
É verdade o que o Paulo diz, o Ellis não começou a colocar as suas mãos nos arranjos e produção em torno do Nick Cave com Ghosteen, mas como se falava desses dois álbuns fiquei por aí mesmo. Pessoalmente gosto do caminho, a base instrumental ganha dinâmica, largura e profundidade, coisas que me agradam em conjunto com a voz e escrita.
Desse álbum que deixo em partilha aponto a uma faixa em particular: Authentic Celestial Music. Em 1998 já lá estava tudo!
anibalpmm Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Sáb Jul 24 2021, 22:14
Sem querer ofender ninguém mas o post rock nunca foi a minha praia, não é um género que me atraia e apenas uma ou duas bandas ouço com algum prazer. Os Dirty Three não são uma delas. Há muito que os riffs das guitarras elétricas deixaram de ser fundamentais para mim, e de um modo geral (há excepções obviamente) as bandas indie e de post rock em particular, não trazem nada de novo ao mundo. De modo que para mim considerar os Dirty Three como a melhor banda não faz grande sentido. É a minha opinião, vale o que vale. Isto a propósito do novo disco do Nick Cave e da sua ligação a Warren Ellis. Há muito que Nick Cave deixou de ser um dos meus autores preferidos (tenho muitos discos dele, mas já raramente os ouço) soa-me sempre ao mesmo, mais uma descida aos infernos (quantas é que ele já fez?) e se é verdade que o homem passou por muito recentemente, mas nem isso me fez sentir que ele se reinventou, continua a ser mais do mesmo, sem novidade. O último disco que gostei realmente dele foi o “Murder Ballads”, há já um bom par de anos. Este último confirmou mais uma vez a minha ideia, já não tenho paciência para o Ome. Prefiro a música que me desafia e neste momento isso acontece quer no novo Jazz a traçar novas fronteiras e a reinventar-se, quer nas novas bandas da nova pop alternativa.
TD124 Membro AAP
Mensagens : 8270 Data de inscrição : 07/07/2010 Idade : 59 Localização : França
Assunto: Re: A rodar XLVII Dom Jul 25 2021, 13:45
anibalpmm escreveu:
...mas o post rock nunca foi a minha praia, não é um género que me atraia e apenas uma ou duas bandas ouço com algum prazer. Os Dirty Three não são uma delas. ...
...Há muito que Nick Cave deixou de ser um dos meus autores preferidos (tenho muitos discos dele, mas já raramente os ouço) soa-me sempre ao mesmo, mais uma descida aos infernos ... continua a ser mais do mesmo, sem novidade. ...
Mesmo se o José Miguel integrou, e compreendo, os Dirty Three no dominio do Post-Rock a realidade é que qualquer grupo que foge harmonicamente e ritmicamente ao rock é metido nesse saco ... um estilo que regrupa Tortoise, Mogwai, Rachel's, Stars of the Lid ou Silo no mesmo saco não é um estilo, é um Mundo! Vamos deixar os Dirty Three no espaço chamado de rock experimental e creio que esta etiqueta jà està mais ajustada...
Quanto ao Nick Cave, desde a apresentação do "Carnage" que emiti a ideia que para alguns o album possa ser "mais do mesmo", a musica é uma arte, que como todas as outras, pode ser simultaneamente agregadora e ou divisora! No entanto, existe uma forma de "maneirismo" ou de absurdo na critica a um artista que perpetua um estilo que lhe é proprio, como se a continuidade e a constância fosse um pecado. Trata-se de uma critica fàcil que poderia ser proferida mesmo em direção dos maiores génios da musica como Mahler, Ayler ou Monk se fossemos objectivos, mas o gosto não se embaraça destes pequenos pormenores...
Dito isto, os gostos são como as cores...
José Miguel Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Dom Jul 25 2021, 14:22
anibalpmm escreveu:
(...) Prefiro a música que me desafia e neste momento isso acontece quer no novo Jazz a traçar novas fronteiras e a reinventar-se, quer nas novas bandas da nova pop alternativa.
Aníbal, por mim este tópico sempre foi mais do que partilha de referências a álbuns, vale mesmo apena partilhar sensações, pensamentos, ... por isso não tem de pedir desculpa pela partilha de opinião.
Eu gosto de ouvir Post-Rock, não todas as bandas como é óbvio, pois partilho parte da sua opinião: há muito do mesmo neste género. As bandas que iniciaram o género rasgaram com alguns dos cânones do Rock dito convencional, utilizavam o mesmo tipo de formação (bateria, guitarra, baixo, teclas e, por vezes, voz). A designação eu entendo-a e sempre entendi desta forma, formações típicas de Rock a tocar Música que está para lá do registo mais convencional - a extensão dos rifs são uma parte importante, mas pela via dos teclados (electrónica em geral) também se consegue uma profundidade e largura que está para lá do Rock tradicional. Posto isto, eu gosto de bandas que conseguem juntar a estas características o Progressivo e o Psicadélico, tenho um lugar especial para alguns registos Folk.
Encontro aqui e acolá algo que se apelida de Espiritual (em sentido largo, claro), um encontro com as raízes do pensamento e do conhecimento, mas também com as velhas questões que apoquentam o que conseguimos compreender pelos sentidos.
As novas cenas Jazz têm algo semelhante ao que descrevo no Post-Rock, já não se estão a usar as mais tradicionais línguas de Jazz, a Linguagem está lá e identifica-se, mas há muito mais. O Hip-Hop não está no Bop nem na cena Espiritual dos anos 60, mas hoje está e muito bem integrada. O mesmo vale para a energia típica do Punk, Shabaka Hutchings é um Punk na forma como entrega cada frase - ou serei eu a viajar...
Deixei a frase do Aníbal sobre a questão do desafio, pois eu gosto de Música que me desafie, acima de tudo que me desafie a razão e os sentidos, ou seja, que me faça querer voltar a ela por várias razões. Quando quero libertar alguma energia é comum colocar Spiderland dos Slint, desde que conheço o álbum que sinto o mesmo, foi imediato, neste a razão e espírito "gritam" e libertam-se. Ainda esta semana falava com uma pessoa de longe sobre o F♯A♯∞ dos Godspeed You! Black Emperor, um álbum de 1997 que parece ser a banda sonora dos dias que correm - vejo as notícias e nem sei o que pensar, a duração desta crise está a deixar as pessoas perto dos seus limites e cada vez é mais complicado pensar medidas que sejam admissíveis, além disto que digo, parece que o Mundo se resume a alguns países do Ocidente, o resto está na escuridão. Depois há álbuns de Jazz de "hoje", quando quero sentir novamente o corpo e mente unirem-se socorro-me de Universal Beings do Makaya McCraven, aquela capacidade de criar "beats" com a bateria e todos os fraseados que a ele se juntam deixam-me em paz, ainda há quem pense o que se vai passando.
Há outro registo que me tem feito muito bem, a Música Brasileira dos 60/70. Estes dias estava a ouvir novamente Expresso 2222 do Gilberto Gil e quando começa Back in Bahia parei... a letra fala da experiência de alguém que viveu longe por motivos exteriores a ele, a ditadura militar no Brasil era terrível (a letra já é escrita no Brasil, mas com recurso a memórias de Londres). Longe alguns caíram nas malhas das drogas e tal, mas havia a busca pelo que era familiar e desejado, o conforto do lugar de origem. Mais uma vez, não é sobre os dias de hoje, mas não consigo deixar de pensar em tantas coisas que vou experimentando, a despedida de amigos que partem, as ideias que trocamos pela ausência, os sentimentos negativos que se erguem por tanta coisa que falta lá longe... esta Música também me desafia e de um evento cantado eu passo para outros que vivo.
Deixo parte da letra de Back in Bahia: "Lá em Londres, vez em quando me sentia longe daqui Vez em quando, quando me sentia longe, dava por mim Puxando o cabelo nervoso, querendo ouvir Celly Campelo pra não cair Naquela fossa em que vi um camarada Meu de Portobello cair Naquela falta de juízo que eu não Tinha nem uma razão pra curtir Naquela ausência de calor, de cor, de sal, De sol, de coração pra sentir Tanta saudade preservada num velho baú de prata dentro de mim Digo num baú de prata porque prata é a luz do luar (...)"
Podem escutar aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Vygp0Gs6_6s
A Música é isto e muito mais, é uma criação do Homem e cada um dos que ousa comunicar por meio dela tem de encontrar a forma certa de o fazer. Quando isto nos toca é magia... digo da Música e poderia dizer da Literatura, Pintura, Escultura, ...
Agora que escrevo isto e falei de Música Brasileira, que tal o gigante tema Metamorfose Ambulante? Cai bem nesta conversa, o que gostamos hoje, podemos não gostar amanhã - nós mudamos! Assumir a nossa Natureza só nos faz bem. Deixo a referência ao álbum Krig-ha, Bandolo! de Raúl Seixas, pois claro!
Podem escutar a faixa aqui: https://www.youtube.com/watch?v=CmB4sfoZkwo
Acho que me enrolei um pouco ao longo desta mensagem, mas é assim mesmo... as ideias fluem com a Música.
anibalpmm Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Dom Jul 25 2021, 19:11
TD124 escreveu:
anibalpmm escreveu:
...mas o post rock nunca foi a minha praia, não é um género que me atraia e apenas uma ou duas bandas ouço com algum prazer. Os Dirty Three não são uma delas. ...
...Há muito que Nick Cave deixou de ser um dos meus autores preferidos (tenho muitos discos dele, mas já raramente os ouço) soa-me sempre ao mesmo, mais uma descida aos infernos ... continua a ser mais do mesmo, sem novidade. ...
Mesmo se o José Miguel integrou, e compreendo, os Dirty Three no dominio do Post-Rock a realidade é que qualquer grupo que foge harmonicamente e ritmicamente ao rock é metido nesse saco ... um estilo que regrupa Tortoise, Mogwai, Rachel's, Stars of the Lid ou Silo no mesmo saco não é um estilo, é um Mundo! Vamos deixar os Dirty Three no espaço chamado de rock experimental e creio que esta etiqueta jà està mais ajustada...
Quanto ao Nick Cave, desde a apresentação do "Carnage" que emiti a ideia que para alguns o album possa ser "mais do mesmo", a musica é uma arte, que como todas as outras, pode ser simultaneamente agregadora e ou divisora! No entanto, existe uma forma de "maneirismo" ou de absurdo na critica a um artista que perpetua um estilo que lhe é proprio, como se a continuidade e a constância fosse um pecado. Trata-se de uma critica fàcil que poderia ser proferida mesmo em direção dos maiores génios da musica como Mahler, Ayler ou Monk se fossemos objectivos, mas o gosto não se embaraça destes pequenos pormenores...
Dito isto, os gostos são como as cores...
A etiqueta pode mudar mas o gosto continua o mesmo Quanto à continuidade ela não é um problema para mim como por exemplo em Tom Waits, com Elvis Costello, Neil Young, Van Morrison ou outros. Já quando falamos de Nick Cave a coisa não resulta para mim, parece-me sempre o explorar do filão até ao fim. Mas obviamente gostos são gostos e ainda bem que não somos todos iguais, o que seria uma grande monotonia e muito mau para os artistas.
Alexandre Vieira Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Dom Jul 25 2021, 19:27
Não ligava aparelhagem faz bastantes dias. Tem alturas que até o hobby preferido nos incomoda, mas hoje apeteceu-me "mimar-me"-
Este disco foi impresso em 1969 em vinil da maior qualidade e uma gravação prensagem de sonho.
Eles andam baratos por aí, é aproveitar.
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TD124 Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Dom Jul 25 2021, 19:39
José Miguel escreveu:
...Acho que me enrolei um pouco ao longo desta mensagem, mas é assim mesmo... as ideias fluem com a Música.
È giro, e de uma certa maneira mesmo fascinante como as obras podem nos tocar a uns e outros de uma maneira por vezes (totalmente) diferente ... o Spiderland e o f#a# não me produzem o efeito que descreveste! Quanto à tua frase, é sobejamente conhecida a tua capacidade a te deixar levar pela corrente das palavras
anibalpmm escreveu:
...Mas obviamente gostos são gostos e ainda bem que não somos todos iguais, o que seria uma grande monotonia e muito mau para os artistas.
Complétamente de acordo e de todas as maneiras a diversidade da criação artistica é o espelho da diversidade da humanidade e espero que assim continue
anibalpmm Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Jul 27 2021, 14:37
anibalpmm Membro AAP
Mensagens : 9728 Data de inscrição : 05/03/2012
Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Jul 27 2021, 15:54
TD124 Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Jul 27 2021, 16:19
Tinha trazido comigo para as férias uma lista de albuns em atraso que queria escutar e tenho tentado todos os dias me interessar ao menos a um. Tenho tido boas e algumas excelentes surpresas, deixo as primeiras e passo directamente para as ultimas com este album que seduziu-me desde a primeira escuta. Hà pouco tempo a proposito dos Daft Punk tinha deixado o remorso de ver apareçer pouca musica dita de dança por aqui assim que a mà reputação que ainda lhe é associada. Este magnifico primeiro album que roda à volta do tema da perda pode levar muitas pessoas a mudar de opinião... eis uma obra aonde a IDM rima com a dor da ausência de uma maneira que eleva o estilo a algo que ele està associado jà hà quase trinta anos, a inteligência! Bravo...
José Miguel Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Jul 27 2021, 16:48
As propostas que desfilam por aqui são boas, o que não conhecia fui espreitar rapidamente... assim fico com o registo.
Por aqui a Música é outra, o que se tem passado pelo Mundo fez-me pensar num álbum que já anunciava o que hoje vemos acontecer longe. Para já é longe.
Laurie Anderson and Kronos Quartet - Landfall
Por vezes, mesmo fazendo-nos reparar como podemos estar a participar de uma página negra, a Música de LandFall consegue apresentar-nos um raio de luz - talvez por existir uma forma de Belo na capacidade de pintar o lado negro das coisas.
Entre as cordas e a electrónica, com a bela voz de Laurie Anderson.
TD124 Membro AAP
Mensagens : 8270 Data de inscrição : 07/07/2010 Idade : 59 Localização : França
Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Jul 27 2021, 19:37
José Miguel escreveu:
...Por aqui a Música é outra, o que se tem passado pelo Mundo fez-me pensar num álbum que já anunciava o que hoje vemos acontecer longe. Para já é longe.
Laurie Anderson and Kronos Quartet - Landfall ...
Eu tenho esse album em ficheiro, do que sei ele foi inspirado pela experiência pessoal da artista aquando do furacão Sandy ... mas, o termo "Landfall" tém tantos sentidos na lingua de Shakespeare que podemos devanear sém limites. Nesse album acho os Kronos Quartet, por uma vez, sobrios e elegantes no trabalho musical mostrando(me) que o minimalismo americano é verdadeiramente o territorio ideal para eles
Alexandre Vieira gosta desta mensagem
anibalpmm Membro AAP
Mensagens : 9728 Data de inscrição : 05/03/2012
Assunto: Re: A rodar XLVII Qua Ago 04 2021, 17:12
Ghost4u Membro AAP
Mensagens : 14344 Data de inscrição : 13/07/2010 Localização : Ilhéu Chão
Assunto: Re: A rodar XLVII Qui Ago 05 2021, 00:13
Desprezando o rótulo de artista intelectual, o ofício de professor levou José Afonso a contactar com a realidade das gentes de diversas localidades do país. Cônscio que mediante as cantigas revelaria as fragilidades do povo explorado, usou o alegorismo na sua escrita.
Em 2020, Pedro Jóia e José Salgueiro (percussão), homenagearam este nome maior da nossa música. Sobre o guitarrista, Fausto Bordalo Dias, refere "que se José Afonso o conhecesse também haveria de o admirar e, quem sabe, gostar de gravar um álbum acompanhado pelo Pedro! Este álbum «Zeca» é, mesmo, uma autêntica jóia!"
(Sony Music, 19439807621)
masa gosta desta mensagem
masa Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Qui Ago 05 2021, 12:54
Pedro (ghost ) subscrevo e assino por baixo . Muito bom . E quem gostar de Zeca ainda vai a tempo de ver na RTP 1 , O Cantinho do Zeca , última segunda feira , pelas 21 ,58 . Fiquei surpreso com os arranjos orquestrais de um rapazinho que anda por aí . Os Portugueses também têm boa música nós e que não sabemos . Por interesses que desconheço é pouco divulgada/publicitada .
Ghost4u Membro AAP
Mensagens : 14344 Data de inscrição : 13/07/2010 Localização : Ilhéu Chão
Assunto: Re: A rodar XLVII Sex Ago 06 2021, 19:19
Prezado masa,
Entretanto, a partir de Outubro, serão reeditados os álbuns de Zeca Afonso, quer em formato CD quer em LP, sob o selo da Lusitanian Music.
Com melhores cumprimentos,
masa gosta desta mensagem
José Miguel Membro AAP
Mensagens : 9401 Data de inscrição : 16/08/2015 Idade : 43 Localização : A Norte, ainda a Norte...
Assunto: Re: A rodar XLVII Sex Ago 06 2021, 19:31
O final de tarde presenteou-nos com sol quase sem núvens, coisa boa para a vida. Tendo isto em mente, fui buscar um álbum que representa bem o que é vida em Música.
Não é pelo título, antes pela capacidade que Anthony (Tony mais tarde) Williams revela logo no seu primeiro álbum como nome principal e criador... e criou todas as faixas. A vitalidade da juventude está bem presente, assim como a audácia. Não se ficou por mostrar que era bom a tocar bateria, não se limitou a compor de forma livre para todos, com tenra idade e, repito, no seu primeiro álbum, ele permitiu-se a criar uma faixa inteira onde não toca um único som - Barb's Song to the Wizard fecha o álbum de forma bela com Herbie Hancock e Ron Carter em diálogo, até o criador da faixa o reconheceu ao ouvir e por isso assim ficou.
Merece ser escutado em sossego, quem não conhece pode espreitar qualquer uma das faixas, mesmo a última onde Anthony Williams não participa directamente (mas escreveu!).
Ghost4u Membro AAP
Mensagens : 14344 Data de inscrição : 13/07/2010 Localização : Ilhéu Chão
Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Ago 10 2021, 00:13
No Auditório Fantasma não jaze o jazz lusíada. «In search of light», do vibrafonista Eduardo Cardinho, com André Rosinha (contrabaixo), Ben Van Gelder (saxofone), Bruno Pedroso (bateria), Fernando Costa (violoncelo), Igor Silva (electrónica), João Barradas (acordeão), Joana Nunes (viola), Ana Ribeiro e Miguel Simões (violinos), deixa patente que este género musical, caracterizado por ritmos sincopados e improvisações a solo ou em grupo, está dotado de vida fervorosa!
(Nischo, NIS0006)
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reirato Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Qui Ago 12 2021, 03:33
Na calma madrugada sabe bem desenjoar do inglês e, com o fresquinho a entrar pela janela, é uma lúxuria rodar estes dois LP´s do camarada Léo FERRÉ!...
Lançados há 35 anos!!!!
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masa Membro AAP
Mensagens : 411 Data de inscrição : 29/01/2013 Idade : 79 Localização : Vale de Milhaços
Assunto: Re: A rodar XLVII Qui Ago 12 2021, 14:26
Compadre REIRATO ou se deitou tarde ou madrugou .Nem de propósito .Ontem durante e após o almoço no Cercal o tema foi a música francesa e a obra de Leo Ferré foi bem dabatida por uns companheiros franceses de Amiens que fazem questão de passar férias TODOS os anos nesta região . A ementa ? Para a esmagadora maioria é desconhecida .Cachola à moda antiga .
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Ghost4u Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Qui Ago 12 2021, 17:34
Cachola à moda antiga, bem confeccionada, é uma delícia para qualquer fantasma antigo!
masa gosta desta mensagem
Alexandre Vieira Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Seg Ago 16 2021, 17:31
El Camarón De La Isla – Una Leyenda Flamenca (1969 - 1992)
Passei 15 dias em Espanha, uma vez que lá ninguém me pede certificado ou teste para frequentar os Restaurantes. De Barcelona até Sevilha fui frequentando espaços onde se ouvia música e perguntei a vários espanhóis qual era uma das vozes que eles mais se viam representados. E muitos deles apontaram-me para este Camarón que eu desconhecia, até porque não sou grande praticante de Flamengo.
Pessoalmente fiquei agradado com a forma sentida com que ele canta e a emoção que transmite.
Aconselho a escuta, a pessoas como eu que o desconheciam.
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Ghost4u Membro AAP
Mensagens : 14344 Data de inscrição : 13/07/2010 Localização : Ilhéu Chão
Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Ago 17 2021, 22:42
A sua prática é flamingo.
Alexandre Vieira e masa gostam desta mensagem
Alexandre Vieira Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Qua Ago 18 2021, 11:06
Ghost4u escreveu:
A sua prática é flamingo.
Esses vejo-os de casa não preciso de ir para Espanha.
masa gosta desta mensagem
TD124 Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Qui Ago 19 2021, 11:00
Alexandre Vieira escreveu:
...Passei 15 dias em Espanha, uma vez que lá ninguém me pede certificado ou teste para frequentar os Restaurantes...
È verdade!... ném sequer desinfectam as mesas de um cliente para o outro, é deveras free-style
anibalpmm Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Qui Ago 19 2021, 20:06
Alexandre Vieira Membro AAP
Mensagens : 8560 Data de inscrição : 11/01/2013 Idade : 54 Localização : The Other Band
Assunto: Re: A rodar XLVII Sáb Ago 21 2021, 14:41
Hoje oiço esta obra em vinil que muito me satisfaz. Uma excelente gravação da EMI. O gira de serviço é o Telefunken que com a sua Shure M-75 dá bem conta do recado.
TD124, masa e Fernando Salvado gostam desta mensagem
Ghost4u Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Sáb Ago 21 2021, 23:33
Não foi necessário girar o cursor de sintonização de estação no meu autorádio, porquanto, desde considerável tempo, ganhou raíz na Antena 2, onde dou ouvidos à forma arquitectural da música e dos textos de Argonauta.
Alexandre Vieira, masa e Fernando Salvado gostam desta mensagem
Alexandre Vieira Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Dom Ago 22 2021, 11:51
Ghost4u escreveu:
Não foi necessário girar o cursor de sintonização de estação no meu autorádio, porquanto, desde considerável tempo, ganhou raíz na Antena 2, onde dou ouvidos à forma arquitectural da música e dos textos de Argonauta.
SERVIÇO PÚBLICO
Também oiço a RNE 2 de Espanha! A um nível muito idêntico, muitas vezes tem é outra seleção musical.
Mensagens : 8560 Data de inscrição : 11/01/2013 Idade : 54 Localização : The Other Band
Assunto: Re: A rodar XLVII Dom Ago 22 2021, 12:58
Em atenta audição!
Born August 4th 1947 in Berlin, is a german electronic pioneer, composter and musician. Schulze initially made his mark as a drummer, first with the group Psy Free, later with Tangerine Dream (he played on their first album "Electronic Meditation" before he quit) and Ash Ra Tempel (with Manuel Göttsching). In 1971 Schulze started a solo career as an electronic musician and released a couple of heavily experimental albums, "Irrlicht" and "Cyborg". 1973's "Cyborg" was the first release where he used a "real" synthesizer, the legendary VCS 3 and later in the 70's he would record albums such as "Moondawn", "Mirage" and "X" and embark on several tours, documented across a number of live albums.
In 1978 he set up the label Innovative Communication and the following year he also launched the pseudonym/project Richard Wahnfried. In the 1980's Schulze continued his hectic release schedule as well as recording several soundtracks and rebuilding his studio (he "went digital" in 1986). In summer 1983 Klaus Schulze 'sold' Innovative Communication.
In the 1990's Schulze recorded several electronic interpretations of works by classical composers (most notably Wagner) as well as collaborating with opera singers and other classical music performers on his own albums. He also started collaborating with German ambient/techno artist Pete Namlook in the series "The Dark Side Of The Moog" on the latter's Fax label, and steered the Wahnfried project into a more modern techno- and trance-inspired direction.
anibalpmm Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Ago 24 2021, 12:18
Esta bailarina tem a zona baixa do espectro com mais presença que qualquer outra agulha que conheço
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José Miguel Membro AAP
Mensagens : 9401 Data de inscrição : 16/08/2015 Idade : 43 Localização : A Norte, ainda a Norte...
Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Ago 24 2021, 12:38
E que célula é essa Aníbal?
As imagens estão muito bem, esse equipamento do Joaquim Pinto (Pré!?!), apesar de "aberto" tem uns pormenores catitas - o símbolo no transformador; essa cor avermelhada fica bem com a madeira.
anibalpmm Membro AAP
Mensagens : 9728 Data de inscrição : 05/03/2012
Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Ago 24 2021, 13:18
José Miguel escreveu:
E que célula é essa Aníbal?
As imagens estão muito bem, esse equipamento do Joaquim Pinto (Pré!?!), apesar de "aberto" tem uns pormenores catitas - o símbolo no transformador; essa cor avermelhada fica bem com a madeira.
É um pre à experiência que veio para colmatar a minha dificuldade em ouvir música agora. Tem 2 transformadores para ouvir com auscultadores uma vez que amp de auscultadores que eu tenho não me permite ouvir tudo Mas para já está a funcionar como pré a substituir o AR SP9 Já a agulha é uma GE VR227 dos primórdios do stereo , só a consigo por a tocar neste braço. Toca com uns módicos 6,75g no VTF
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José Miguel Membro AAP
Mensagens : 9401 Data de inscrição : 16/08/2015 Idade : 43 Localização : A Norte, ainda a Norte...
Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Ago 24 2021, 14:09
Aníbal, vou começar pelo fim... na semana passada escutei várias vezes esse álbum, andei a falar dele. É incrível como o Don Byas, com um fraseado simples e subtil, sublinha as palavras, sentimentos, momentos da canção certos. Pensar que a Amália teve sérias dúvidas sobre a edição do álbum... é um belo exemplo de Fado para lá das amarras do classicismo que muitas vezes o prende.
Perguntei pela célula porque imediatamente pensei neste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=UoNz3Kxiph4
Não sei se o Aníbal já viu esse vídeo, é sobre as edições Tone Poet da Blue Note. Nele o Joe Harley, da Music Matters, refere a técnica de masterização que o Rudy Van Gelder aplicou aos álbuns - pode ouvir a partir do minuto 3, fala dos cortes em algumas frequências, nomeadamente nas baixas, para que os discos pudessem ser reproduzidos em todos os gira-discos sem saltos.
Quando o Aníbal referiu que essa célula parecia ter mais presença na zona baixa do espectro, fiquei a pensar se ela não teria sido pensada como possibilidade de compensação... o áudio e a sua história guardam episódios que desconhecemos.
Compreendo as limitações de escuta, imagino que necessite fazer o volume cair... por aqui também, mas não me adapto (mesmo quando estou sozinho em casa, como agora) a usar auscultadores. Ouço em volume moderado, as obras na rua ainda se metem pelo meio, mas se for preciso eu repito cada face do álbum.
anibalpmm Membro AAP
Mensagens : 9728 Data de inscrição : 05/03/2012
Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Ago 24 2021, 15:50
José Miguel escreveu:
Aníbal, vou começar pelo fim... na semana passada escutei várias vezes esse álbum, andei a falar dele. É incrível como o Don Byas, com um fraseado simples e subtil, sublinha as palavras, sentimentos, momentos da canção certos. Pensar que a Amália teve sérias dúvidas sobre a edição do álbum... é um belo exemplo de Fado para lá das amarras do classicismo que muitas vezes o prende.
Perguntei pela célula porque imediatamente pensei neste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=UoNz3Kxiph4
Não sei se o Aníbal já viu esse vídeo, é sobre as edições Tone Poet da Blue Note. Nele o Joe Harley, da Music Matters, refere a técnica de masterização que o Rudy Van Gelder aplicou aos álbuns - pode ouvir a partir do minuto 3, fala dos cortes em algumas frequências, nomeadamente nas baixas, para que os discos pudessem ser reproduzidos em todos os gira-discos sem saltos.
Quando o Aníbal referiu que essa célula parecia ter mais presença na zona baixa do espectro, fiquei a pensar se ela não teria sido pensada como possibilidade de compensação... o áudio e a sua história guardam episódios que desconhecemos.
Compreendo as limitações de escuta, imagino que necessite fazer o volume cair... por aqui também, mas não me adapto (mesmo quando estou sozinho em casa, como agora) a usar auscultadores. Ouço em volume moderado, as obras na rua ainda se metem pelo meio, mas se for preciso eu repito cada face do álbum.
O disco da Amália não é perfeito, tem algumas limitações e só tenho uma célula que o toca imaculadamente. Mas a música e fabulosa Já quanto ao vídeo não o conheço, vou espreitar é claro Já quanto à GE VR227 talvez tenha sido o facto de que era muito utilizada nas máquinas automáticas, daquelas que se punham moedas e se escolhia o single. Deviam ter muitas limitações e talvez por isso compensassem, quem sabe. O que é certo é que no disco Krakatau a faixa de entrada faz tremer tudo, tive que baixar o volume do SW. A sala ainda não está afinada e excita as baixas frequências, mas como tenho pouco tempo prefiro ouvir música e por isso ainda não me dediquei
anibalpmm Membro AAP
Mensagens : 9728 Data de inscrição : 05/03/2012
Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Ago 24 2021, 16:09
anibalpmm Membro AAP
Mensagens : 9728 Data de inscrição : 05/03/2012
Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Ago 24 2021, 16:33
José Miguel Membro AAP
Mensagens : 9401 Data de inscrição : 16/08/2015 Idade : 43 Localização : A Norte, ainda a Norte...
Assunto: Re: A rodar XLVII Ter Ago 24 2021, 17:39
A tarde já vai a meio e hoje fiquei com Música Portuguesa na cabeça... depois de alguns álbuns mais conhecidos, acabei por me lembrar que há um Mestre na estante, um belo exemplo do Rock Sinfónico feito em Portugal.
A Ditadura atrasou-nos em muita coisa e na Música não houve excepção. Não tivemos a escola, não tivemos a influência do que se fazia em outros lugares de forma directa e profunda, não apanhamos as correntes enquanto elas tinham força... tudo isto aconteceu, mas somos conhecidos por sermos inventivos e este Mestre dos Petrus Castrus é disso exemplo - 1973. Nota-se a Portugalidade na obra e isso não é mau, o que falta em duração de solos (por isso não coloco o álbum na gaveta do Progressivo), aparece em bom nas letras que fazem frente a parte do regime ou em sons que nos transportam para as nossas raízes folclóricas.
Vale a pena, a reedição ainda anda por aí a preço decente.
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Alexandre Vieira Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Qua Ago 25 2021, 10:44
José Miguel escreveu:
A tarde já vai a meio e hoje fiquei com Música Portuguesa na cabeça... depois de alguns álbuns mais conhecidos, acabei por me lembrar que há um Mestre na estante, um belo exemplo do Rock Sinfónico feito em Portugal.
A Ditadura atrasou-nos em muita coisa e na Música não houve excepção. Não tivemos a escola, não tivemos a influência do que se fazia em outros lugares de forma directa e profunda, não apanhamos as correntes enquanto elas tinham força... tudo isto aconteceu, mas somos conhecidos por sermos inventivos e este Mestre dos Petrus Castrus é disso exemplo - 1973. Nota-se a Portugalidade na obra e isso não é mau, o que falta em duração de solos (por isso não coloco o álbum na gaveta do Progressivo), aparece em bom nas letras que fazem frente a parte do regime ou em sons que nos transportam para as nossas raízes folclóricas.
Vale a pena, a reedição ainda anda por aí a preço decente.
Desconhecia por completo a existência desta banda. Vou escutar. Obrigado pela partilha!
José Miguel Membro AAP
Mensagens : 9401 Data de inscrição : 16/08/2015 Idade : 43 Localização : A Norte, ainda a Norte...
Assunto: Re: A rodar XLVII Qua Ago 25 2021, 11:00
O ano em que saiu Mestre e a natureza da Música conduziram primeiro à sombra e depois ao quase esquecimento. Em 1973 não havia muita coisa por cá que fosse semelhante, será um dos primeiros álbuns do género em Portugal e um que abriu muitas portas - desde logo por revelar que por cá também se podia fazer algo diferente. As letras são muito boas, se conseguir, escute de forma a poder acompanhar o que é dito, embarque na viagem pela poesia deles e de alguns dos nossos maiores nomes. Os arranjos estão bem conseguidos, não procure comparações com as bandas Inglesas e os requintados arranjos, os magistrais solos... lembre-se que cá a escola de Música era e é pobre.
Vale a pena investigar, a reedição em capa dupla (a que vê na imagem) está muito bem conseguida, sem as preciosidades que a audiofilia requer (talvez por isso nem se tenha falado por aqui da reedição), mas a tocar lindamente e com um preço a condizer (20 euros por esse álbum é um regalo).
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Assunto: Re: A rodar XLVII Qui Ago 26 2021, 21:05
José Miguel escreveu:
O ano em que saiu Mestre e a natureza da Música conduziram primeiro à sombra e depois ao quase esquecimento. Em 1973 não havia muita coisa por cá que fosse semelhante, será um dos primeiros álbuns do género em Portugal e um que abriu muitas portas - desde logo por revelar que por cá também se podia fazer algo diferente. As letras são muito boas, se conseguir, escute de forma a poder acompanhar o que é dito, embarque na viagem pela poesia deles e de alguns dos nossos maiores nomes. Os arranjos estão bem conseguidos, não procure comparações com as bandas Inglesas e os requintados arranjos, os magistrais solos... lembre-se que cá a escola de Música era e é pobre.
Vale a pena investigar, a reedição em capa dupla (a que vê na imagem) está muito bem conseguida, sem as preciosidades que a audiofilia requer (talvez por isso nem se tenha falado por aqui da reedição), mas a tocar lindamente e com um preço a condizer (20 euros por esse álbum é um regalo).
Onde comprou José Miguel? Na Fnac?
José Miguel Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Qui Ago 26 2021, 21:19
Boa noite Alexandre!
Eu já comprei faz algum tempo e a uma pessoa particular... outros caminhos.
Numa busca rápida e perto de si, mais ou menos, tem esta loja: https://www.lojadoarco.com/products/petrus-castrus-mestre-duplo-lp-vinil
Está a um muito bom preço, eu só paguei menos um pouquinho. Na Rastilho também tem, mas fica por 22 euros.
Contacte a loja, honestamente não sei como ainda não esgotou. Para a história da nossa Música, acho que é um álbum muito importante.
Não ganho nada com isso, mas partilho a letra da primeira faixa... pode ser que toque mais algumas pessoas.
"Mestre Nada de novo debaixo do Sol Nada de justo debaixo dos Céus Apenas teus servos suados Arando lentamente Na tarde quente
Mestre Dos que partiram nem a sombra voltou Os que ficaram já a guerra levou Só restam os servos suados Cavando lentamente Na tarde quente
Mestre Os que se ergueram já a vida curvou Os que gritavam já a morte calou Que fazer dos servos suados Chorando lentamente Na tarde quente
Mestre Se o sofrimento já não serve o Vigário Porque esperamos p'ra mudar o cenário Misericórdia para os servos suados Morrendo lentamente"
Tão bom!!
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Alexandre Vieira Membro AAP
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Assunto: Re: A rodar XLVII Dom Set 05 2021, 12:20
Anibal desculpa que te diga. Mas esse teu cantinho até mete "nojo"
Um gajo fica irritado com a ciumeira!
Muitos parabéns!
José Miguel Membro AAP
Mensagens : 9401 Data de inscrição : 16/08/2015 Idade : 43 Localização : A Norte, ainda a Norte...
Assunto: Re: A rodar XLVII Seg Set 06 2021, 16:57
Há álbuns e há álbuns... são todos álbuns, mas uns acabam por se elevar mais do que outros e o próximo que partilharei é um desses.
Suicide - Suicide (1977)
O Punk estava a tentar ultrapassar o Progressivo como nova língua do Rock e dois marotos lembram-se de fazer explodir uma bomba... Vega e Rev cruzaram a energia que o Punk produzia com a Electrónica que já fazia parte da cultura da rua deles, Nova Iorque, mas não deixaram de criar faixas cuja progressão é simplesmente elaborada. O resultado não é apenas Post-Punk, é uma pedrada no charco e as ondas ainda se fazem sentir, pois as bandas "Indie" ainda devem muito a este arrojo.
Para quem conhece, revisite, para quem não conhece... espreite sem medo, atire-se de cabeça.
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TD124 Membro AAP
Mensagens : 8270 Data de inscrição : 07/07/2010 Idade : 59 Localização : França
Assunto: Re: A rodar XLVII Seg Set 06 2021, 20:22
José Miguel escreveu:
Há álbuns e há álbuns... são todos álbuns, mas uns acabam por se elevar mais do que outros e o próximo que partilharei é um desses.
Suicide - Suicide (1977) ... Para quem conhece, revisite, para quem não conhece... espreite sem medo, atire-se de cabeça.
Tinha escrito umas palavras sobre essa obra aqui neste topico: Suicide_Suicide
Belas escutas por ai, complicadas e duras mas belas
O Lenco consegue seguir isso
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José Miguel Membro AAP
Mensagens : 9401 Data de inscrição : 16/08/2015 Idade : 43 Localização : A Norte, ainda a Norte...
Assunto: Re: A rodar XLVII Seg Set 06 2021, 20:58
TD124 escreveu:
Tinha escrito umas palavras sobre essa obra aqui neste topico: Suicide_Suicide
Belas escutas por ai, complicadas e duras mas belas
O Lenco consegue seguir isso
Por um conjunto de razões, esse tópico escapou-me e escapa-me... tenho de o ler. Conceptualmente tenho dificuldade a lidar com a ideia do "bestas que passaram a bestiais", mas é verdade que alguns álbuns não foram globalmente bem recebidos - as grandes obras de ruptura algum dia foram!?!
Eu ouvi muito Ghost Rider nas longas noites de festa num bar que parece uma cave... mas tem um nome sugestivo Carpe Diem (Santo Tirso). Frankie Teardrop foi conhecida pelas mãos dos mais velhos que por lá paravam, que beberam da cultura alternativa do final dos 70 e princípio dos 80, que no meio dessa década criavam bandas e sons estranhos numa cidade onde ainda se conhecem as famílias pelo nome...
Confesso que o LP demorou a chegar aqui, mas quando chegou foi bem tratado. Para isso muito contribui o nosso Lenco (com braço e célula) e pré de phono, que em conjunto ainda formam uma boa equipa. É tudo primário aqui por casa, os investimentos estão parados e aguardamos uma mudança definitiva para outros passos, mas não me posso queixar.
Esta edição em vinil não é muito diferente da versão que se encontra no Tidal, preferimos ouvir em vinil... mesmo sabendo que algum do "corpo" que nos dá muito gozo sentir (recordo que temos de escutar em volume baixo) poderá dever-se a algum extra indevido (o pré ataca muito bem as baixas frequências, rapidez e controlo, mas ele amplia o que lhe chega).
A vida é feita de compromissos e quem não pode caçar com cão, vai lá com o gato.